quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O mito do "voto útil" e por que não devemos crer nele

Olá.
As eleições já estão batendo a nossa porta. Já é domingo agora.
Por isso mesmo considero importante fazermos uma pequena reflexão acerca do pleito antes de irmos às urnas eleger nossos representantes, sobretudo, dos nossos critérios (ou falta deles).
Hoje quero falar sobre mais um daqueles hábitos eleitorais que podemos até não notar, mas que prejudicam e muito uma melhor composição dos nossos poderes executivo e legislativo. É o que se convencionou chamar "voto útil".
Voto útil, no seu uso popular, significa votar em um candidato que está muito bem nas pesquisas e que, segundo estas, tem possibilidade real de ganhar a eleição. A justificativa mais comum para esse voto útil é o receio que as pessoas tem de o seu voto não "servir para nada". A frase mais comum de um eleitor que faz uso do voto útil é "eu não vou votar em fulano porque eu sei que ele não vai ganhar". Ou então: "vou votar em fulano porque está ganhando e eu só voto em quem tá ganhando" (sim, acredite: tem desses também).
Pois eu digo agora, com base, inclusive, em meus estudos (tive disciplina de estatística na faculdade) que não é uma boa basear seu voto nas pesquisas. Pesquisa, para quem não sabe, é uma amostragem e serve apenas como parâmetro para se aproximar da realidade da opinião da população. Por ser amostragem, só se entrevistam uma parcela da população. E, no caso das pesquisas eleitorais, é uma parcela bem pequena, que mal chega a 1% da população. Pra que você entenda: quantos de vocês já foram entrevistados em pesquisas eleitorais? No entanto, justamente por causa do pessoal do voto útil, as pesquisas acabam por se confirmar mesmo, porque a opinião da pesquisa ( que é a opinião do povo da pequena amostragem), influencia a opinião da verdadeira maioria da população.
Maaaaaas, para provar que essa história do voto útil é uma balela, temos vários exemplos práticos de quando o resultado das urnas desmentiu completamente as pesquisas. Nas eleições municipais de 2004, por exemplo, as pesquisas apontavam os candidatos Antônio Cambraia (na época, PSDB) e Inácio Arruda (PC do B), nessa ordem, no segundo turno daquela eleição. A candidata Luizianne Lins (PT) aparecia apenas em quarto lugar, atrás de Moroni Torgan ( PFL, hoje DEM). Ao final da apuração do primeiro turno, foram ao segundo turno Moroni Torgan e Luizianne Lins, nesta ordem, desmentindo as pesquisas completamente.  No segundo turno, deu Luizianne. Ou seja, a que era praticamente a última colocada nas pesquisas, se levarmos em conta só as candidaturas de grandes partidos, acabou sendo eleita prefeita de Fortaleza.
Só contei essa história todinha pra que você compreenda que é um erro votar por influência das pesquisas. A eleição só se decide nas urnas. Por isso, o único critério que deve ser utilizado para votar é sua consciência. Não vote em quem está na frente ou em quem supostamente teria mais chances se você, do fundo de seu coração, não acredita nessas candidaturas. Vote sim de acordo com o que você acredita. Isso é o verdadeiro voto útil. Não deixe que o Data Folha ou o Ibope decidam a eleição por você. O poder é seu. Só você tem o poder de eleger ou não alguém. Pense nisso.
E lembre-se daquelas dicas de sempre. Continue pesquisando e se informando sobre seus candidatos, vejam se eles realmente trabalharam e trabalham pelo povo, se tem antecedentes criminais e de corrupção (não espere pelo Ficha Limpa), se sempre estão votando a favor do povo. E após a eleição, sua tarefa não terminou. Continue acompanhando de perto os eleitos.
Afinal de contas, o que engorda o gado é o olho do dono. No caso, os donos somos nós.
Desde já, boa eleição a todos e juízo.
Abraço.

Um comentário:

  1. Então...

    Eu adoraria que não existisse pesquisa eleitoral. Pretendo votar num(a) certo(a) candidato(a) que, pelas pesquisas, não ganhará. Pouco me importa. Eu sei essa história do "Voto útil", e lamento muito.

    Nas outras eleições tinha uma lei tramitando que ia impedir as pesquisas eleitorais a partir de 15 dias antes das eleições. Ela acabou por ser derrubada. O que é uma pena.

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