terça-feira, 13 de julho de 2010

Retrocesso homofóbico pode virar lei: homossexuais podem ser proibidos de adotar filhos

Olá.
Quando a gente pensa que o preconceito contra homossexuais está sendo superado, apesar de ainda ser muito forte, aí vem um político brasileiro e, com um projeto de lei, quer botar anos de luta dessa classe tão discriminada no saco.
O golpe homofóbico contra os direitos dos gays está prestes a ser aplicado graças ao projeto de lei do sr. Zequinha Marinho, deputado federal (PSC-PA). O projeto tramita na Câmara Federal e, caso seja aprovado, proibirá casais gays de adotar uma criança ou adolescente. Ou seja, mais um golpe de misericórdia no direito à cidadania dos homossexuais.

Confira neste link o texto do projeto de lei e veja o tamanho do absurdo que se quer aprovar.
A principal justificativa que o sr. deputado, que consta do próprio texto do projeto, é que casais gays não constituem família.
Ora, senhores. Se já é inadmissível que casais homoafetivos continuem sem direito a casar no civil, que dirá não ter direito à adoção como qualquer cidadão. Ou seja, segundo esse projeto de lei, gay é alienígena, quer dizer.
Devemos lembrar que gays, assim como todos nós, são cidadãos, pagam impostos e, segundo a constituição gozam dos mesmos direitos que qualquer pessoa. E tais direitos não podem ser cerceados por leis segregatórias e discriminatórias como essa. Ao contrário do que muitos infelizes defendem por aí: gays não estão lutando para serem diferentes e sim, para serem iguais a qualquer cidadão e tratados como tal, o que lhes é constantemente negado, inclusive por quem deveria defender a igualdade de direitos a todos (governantes, legisladores e juízes).
A outra justificativa que dão pra proibir a adoção de crianças por homossexuais seria o possível constrangimento que a criança ia passar por não ter um pai e uma mãe. Balela. Não é incomum ver famílias que fogem do tradicional conceito de "família perfeita". Existem crianças sem pai, crianças sem mãe, filhos de pais separados, crianças criadas por outros parentes e, finamente, crianças adotadas. E sim, é muito difícil pra essas crianças também, maaaaaas, tais situações foram minimamente aceitas porque as pessoas se acostumaram. Por que então que não podemos nos acostumar com a ideia de uma família de dois pais e duas mães, já que existem tantas e tantas famílias que fogem do arquétipo de "família" criada há anos pelo homem? Outra questão: qualquer profissional de educação deve saber que as crianças absorvem e reproduzem aquilo que os adultos mais próximos deles fazem e dizem, inclusive os preconceitos. Ou seja, se o menino é homofóbico é porque papai, mamãe, parentes ou a tia do colégio ensinaram ela a ser. O contrário pode ser feito também. Basta que você pai, mãe ou qualquer pessoa que crie uma criança eduque-a sem preconceitos. Claro, o primeiro passo é você mesmo se libertar do preconceito. Enquanto as pessoas continuarem fingindo que a sociedade é "perfeita" e que não existem (ou não deveriam existir) gays, o preconceito e o tal "constrangimento" vai existir, fazendo com que projetos de lei como o do sr. Zequinha Marinho e, conseqüentemente, a homofobia, sejam legitimados.
Lembre-se: o que deve pesar na hora da adoção de uma criança é o caráter e a idoneidade dos candidatos a pai, e não sua orientação sexual. No meu ver, é preferível entregar uma criança a um casal gay que trabalha, que tem caráter e que é um exemplo de amor do que deixá-la em abrigos. O que faz uma família dar certo não é a sexualidade. É o amor.
E, mais do que nunca, é importante a população se unir contra esse verdadeiro ataque à liberdade individual garantida pela Constituição. Escreva um e-mail para o seu deputado, faça abaixo-assinados e, se possível, junte outras pessoas vá à Câmara pessoalmente, para que se faça valer a verdadeira vontade do povo, que é o direito à liberdade em todos os aspectos.
E vamos abrir a mente e aceitar as mais diversas expressões de amor, afinal, o amor deve prevalecer sobre o ódio sempre.
E leia mais a respeito desse famigerado projeto de lei aqui.
Só lembrando que este é um ano de eleição. Uma boa oportunidade de tirarmos corruptos, racistas e homofóbicos do poder. Vamos lá.
Abraço.

3 comentários:

  1. Olha, Welton, quanto à essa questão eu tenho duas visões: a histórica e a científica.

    A HISTÓRICA: O Brasil sempre foi um país onde as coisas só funcionam por pressão. Foi assim com a libertação dos escravos, que enquanto as pessoas endeusam princesa Isabel, não sabem que o Brasil foi o ultimo país ocidental do mundo a abolir a escravatura, e só depois de muita pressão da Inglaterra. O divórcio caminhou na mesma: na década de 30 ele já era permitido no Uruguai – no Brasil, não. E, olha que interessante, os uruguaios homossexuais já podem se casar pelas leis daquele país, mas os brasileiros não. Where’s your Carnaval now, Brasil?

    A CIENTÍFICA: Eu já falei umas dezenas de milhares de vezes num sem número de lugares sobre as pesquisas científicas com homossexuais no reino animal. Todo mundo prega a perfeição de Deus e da Natureza, mas ninguém se importa em ferir o 2º mandamento que é “amar ao próximo como a si mesmo”, e que, vamos lembrar, Jesus colocou com a mesma importância do primeiro mandamento (eu não tô falando de nenhum bitolado que veio antes de Jesus e nenhuma interpretação equivocada das cartas de São Paulo não, eu to falando do próprio Jesus). Ok, saiu do “científico”, mas agora eu volto. Muitas pesquisas têm mostrado na natureza que a função de existirem homossexuais nela é JUSTAMENTE A ADOÇÃO. Uns anos atrás um casal de pingüins homossexuais até virou notícia porque, estando num zoológico, começaram a roubar os filhotes dos outros casais – não, o mau-caráter não é inato, eles o faziam porque estavam presos e estressados, mas isso é uma demonstração do instinto que esses animais têm de, por não procriarem, adotarem órfãos de pais heterossexuais que morrem. Pensem: homossexuais existem em inúmeras espécies animais da natureza, e a natureza é perfeita, logo porque ela criaria uma coisa aparentemente inútil? Qual seria a intenção dela em criar dois indivíduos que naturalmente não irão se procriar?

    BALELAS: Também tem os que defendem que casais gays influenciam filhos a serem gays também. Se isso fizesse sentido, o que explica filhos gays nascerem de casais héteros?

    E pra fechar com a minha famosa chave de latão recicrado: ainda que homossexualidade fosse uma coisa errada, o que Deus preferiria: Dois homens se acarinhando e construindo coisas através do amor ou dois homens se matando?
    Sim, eu sei que tem gente que até mesmo se apóia na bíblia pra dizer que é a segunda.

    Só digo que isso pode ser um retrocesso, mas não é pra sempre. Ainda que essa lei seja sancionada, o que será vergonhoso pro nosso país, ainda mais porque vamos passar boa parte dessa década na mídia mundial (vide 2014 e 2016), isso não será pra sempre, tendo em vista a tendência mundial das outras nações ocidentais.

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  2. Esse assunto dá sempre muito pano pra manga. Pode esperar que vai chover para-quedista aqui, Welton, principalmente fanático religioso recheado de versículos e mais versículos da Bíblia (nenhum vindo do próprio Jesus, claro).

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  3. Anônimo14/7/10

    Como militante da ONG Identidade em Campinas, estamos nôs esforçando para barrar este veto ridiculo do tal Zequinha Marinho, que além de ser um homofóbico ridiculo, deve nem saber o que é ser "PAI", se ele tem uma contrapartida sobre o assunto deveria muito saber que os casais Homossexuais ou homoafetivos, tem mais instabilidade moral e civil que qualquer outro casal " normal ", deveria ele saber que crianças são mal tratadas e jogadas ao mundo por outros tipos de casais enquanto casais homossexuais querem apenas dar amor e carinho áqueles que só sabem o que é sofrer...

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