segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Por que o ENADE não serve


Olá.
Ontem, os cursos de arquitetura e urbanismo, biologia, ciências sociais, computação, engenharia, filosofia, física, geografia, história, letras, matemática, pedagogia e química, foram avaliados no famigerado ENADE (Exame Nacional do Desempenho dos Estudantes). O objetivo de tal exame, segundo o Ministério da educação é avaliar os discentes do ensino superior do Brasil. E é um dos procedimentos de avaliação das universidades e faculdades, integrando o SINAES (Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior) que avalia todos os aspectos que giram em torno desses três eixos: o ensino, a pesquisa, a extensão, a responsabilidade social, o desempenho dos alunos, a gestão da instituição, o corpo docente, as instalações e vários outros aspectos. Diferentemente do antigo Provão, que só avaliava os concludentes, o ENADE também avalia os ingressantes.
Embora meu curso não tenha sido avaliado este ano, posso falar com conhecimento de causa do ENADE porque, na época que ingressei, em 2006, meu curso foi avaliado e fui selecionado (shit) para fazer a prova. Inclusive, houve alguma movimentação por parte do nosso Diretório Acadêmico para organizar um boicote. Porém, o boicote não foi consenso e alguns companheiros fizeram boicotes isolados. Só assinaram, esperaram uma hora e saíram. Eu fui um que traiu o movimento estudantil "véio"! Não boicotei e explicarei por que. Eu julguei que a prova tinha de ser feita mesmo porque a gente só pode criticar a avaliação quando conhece ela a fundo, ou seja, resolvendo a prova. A que conclusão cheguei? A avaliação é fraca como caldo de bila(*).
Por que estou dizendo isso? A tal prova é muito semelhante ao ENEM, cheia de "decoreba" e coisa que realmente não interessa pra nós, estudantes, saber. E outra, ela é passível até de "Teorema de Chutágoras", já que uma boa parte das questões são de mútipla escolha. Vamos ser francos: é uma brincadeira um estudante de ensino superior, que passa sua vida acadêmica todinha escrevendo, ser avaliado com questões de marcar. Tá certo que existem as questões discursivas, mas até estas são muito vagas na prova do ENADE. Ou seja, podemos ter alunos muito bons levando ferro e outros, muito ruins, se dando bem na prova. Soma-se a isso os boicotes. O curso que boicota corre o risco de ser excluído pois o que aparece para a sociedade é o conceito do curso, não os porquês daquele conceito.
Segundo o povo do movimento estudantil, o ENADE seria uma manobra barata para reconhecer certas faculdades particulares para que elas possam continuar atuando na educação. Calma, não tou afirmando que somente as universidades públicas que prestam. Elas tem muitos problemas também. E existe muitas faculdades particulares excelentes (a Unifor e a FA7 são bons exemplos). O problema é você permitir que faculdades de fundo de quintal, de garagem, continuem formando péssimos profissionais. Até porque a sociedade é que vai pagar muito caro por isso.
Por isso, sou a favor de uma avaliação que realmente revele quem é o aluno acadêmico brasileiro. E não é com provão e provinhas que faremos uma avaliação bem feita.
E quanto à avaliação da estrutura, ela realmente é válida, maaas, não basta só avaliar e punir. É preciso solucionar os problemas detectados.
Fica a dica então pro governo.
E quanto ao estudante que ainda fará o ENADE, boicotar não é uma boa idéia, pois tal atitude dá armas ao inimigo. Façam a prova para conhecê-la e para ter uma opinião embasada sobre ela para, só assim, criticá-la.
Abraço.

(*) bila: nome cearense para "bola de gude".

Um comentário:

  1. Compartilho da mesma opinião da galera da comunicação: Enade de cu é....

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