sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Seqüestro por amor? Ou seria doença?


Olá.
Todo mundo está acompanhando, apreensivo, o seqüestro, que está ocorrendo desde segunda feira, da adolescente de quinze anos e sua amiga, pelo ex-namorado da primeira, Lindemberg Alves. O motivo do tal seqüestro foi o fim do namoro dele e da jovem, que não foi bem digerido, pelo que podemos constatar.
Essa história veio, inclusive, suscitar uma reflexão sobre um fato que acompanha a sociedade desde os primórdios, mas que ganhou força com a divulgação da história do casal em questão: até onde um relacionamento extrapola o amor e vira obceção?
Ora, realmente os psicólogos confirmam que uma relação assim, onde uma pessoa fica muito ligada afetivamente a outra, a ponto de esquecer o resto do mundo e de se tornar violento quando é rejeitado por ela, é uma doença e precisa ser levada a sério pelos familiares da pessoa doente. Entretanto, fica difícil, para muitos, definir um limite de uma paixão intensa e de uma paixão doentia.
Maaaaas, quero dizer que não é difícil perceber os sinais. Se a pessoa começa a esquecer o resto do mundo, as amizades, o trabalho, os estudos e praticamente só vive para monitorar e controlar a vida do ser amado, estamos diante não de amor ( afinal, amor verdadeiro é quando queremos ver o ser amado feliz, independente da sua presença, independente de ser correspondido ou não), mas sim de uma relação de posse de um ser humano sobre outro.
Para entendermos mais ou menos como seria essa relação de posse, vamos usar uma analogia.
Pense em algum objeto material que você goste muito. Você gosta tanto desse objeto que a idéia de perdê-lo apavora você e você quer evitar a todo custo que isso aconteça. Por isso, você vai limitar, restringir e até proibir o uso desse objeto por outras pessoas.
Só que, nesse caso, a situação é mais grave porque estamos nos referindo não à um objeto, mas a uma pessoa. Como, na nossa sociedade, acreditamos que todo sujeito é, ou pelo menos deveria ser livre, atitudes como essas são vistas como horrendas pra quem vê de fora, afinal, trata-se de alguém que acredita ser proprietário da vida de outra pessoa.
Bem, agora o mal tá feito. Um cara, aparentemente normal antes do seqüestro, enlouquece e mantém ex em cativeiro. O que fazer?
Rezar, né? Rezar pra que o sujeito não dê cabo da vida das jovens e que entenda de uma vez por todas que não pode obrigar a moça a ficar com ele. Assim, ele só vai conseguir o ódio da moça pro resto da vida.
Fica a torcida.
Abraço.

Ps: Piada infame: se eu fosse seqüestrar toda dona que me desse um fora, eu ia ter que fechar um estádio, que nem o Pinochet fez e contratar uns capangas para impedir que elas fugissem. Ou seja, não compensa mesmo!

UPDATE: Essa não é a notícia que gostaríamos de dar. Como muitos de vocês viram, o seqüestro terminou da pior forma: as duas reféns foram baleadas, sendo que a situação de Eloá, ex-namorada do próprio algoz, foi a mais grave. É praticamente improvável que ela sobreviva :( .
UPDATE 2: Eloá, infelizmente, faleceu. Toda essa tragédia foi fruto de uma série de erros dos pais das moças, da polícia e, por que não dizer da imprensa, e entenda-se aqui Sônia Abrão, que fez o favor de entrevistar (sabe Deus como ela conseguiu) o seqüestrador em pleno seqüestro, o que deu ainda mais moral para o sujeito. Segundo depoimentos, foi o fator decisivo para que ele desistisse da decisão que ele já havia tomado de libertar as reféns. Daí deduz-se que foi fator decisivo também para que ele executasse a jovem.
Deixo aqui, além de meus sentimentos, meu repúdio à imprensa sensacionalista brasileira que, mais uma vez, transformou um bandido em estrela.

2 comentários:

  1. 1. acho que ela sobrevive sim.

    2. é o amor doente. Tanto ele quanto ela tem culpa no nascimento desse sentimento ruim. As pessoas precisam ter mais compromisso com essa história de amar alguém. O amor egoísta pode levar a isso aí ó.

    3. Postamos recentemente sobre a mídia urubu em cima desse caso.

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  2. Well eu meio que jah sabia que naum teria um final feliz e sabe pq? Duas palavras: POLICIA BRASILEIRA. Sério, se um dia isso acontecer comigo pesso peloamordedeos p/ não chamarem estes incompetentes.

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