terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Solução brasileira para o fim da violência: "Vamos proibir jogos de guerra, eletrônicos ou não".



Olá.
O pior é que o assunto é sério.
Hoje vou comentar aqui uma notícia que me deixou perplexo.
Como você sabe, o Brasil inteiro está sofrendo com a violência civil, o que é muito visível no Rio de Janeiro onde, há muito tempo, ocorre uma guerra não-declarada entre Estado e tráfico de drogas.
Muitas formas de conter a violência estão sendo aplicadas no Brasil inteiro (como a famosa "Ronda do quarteirão aqui em Fortaleza). Mas a mais criativa de todas é destaque nos jornais e sites de notícias de hoje: está proibida a venda e a disponibilização do game de computador Counter Strike e o Everquest, para a tristeza e revolta de milhões de verminosos em todo Brasil.
Sobre o Counter Strike, existe inclusive uma versão fake, reproduzida do original da Eletronic Arts, que simula uma favela do Rio e batalhas entre o BOPE, O Comando vermelho, dentre outras quadrilhas.
O argumento que as autoridades da justiça usam para proibir os games é que eles estimulam, no jogador, impulsos violentos, sendo portanto, nocivos à saúde.
Olha, não vou dizer aqui que o jogo não é violento, porque ele de fato o é. Mas, na minha opinião, não é um jogo de video game ou de computador que vai moldar ou modificar o caráter de um indivíduo. E mais, a violência, antes de figurar nos games, já existia( e permenece) na sociedade. Portanto, eu vejo essa tentativa de transferir a causa da violência para um jogo virtual como uma forma das autoridades brasileiras se esquivarem da sua responsabilidade por ela. A violência nasce e se desenvolve a partir dos problemas sociais, como concentração de riquezas, falta de investimento em educação e saúde, falta de melhoria nas condições de vida da população. Ou seja, não é proibindo o consumo de jogos eletrônicos que vamos acabar ou diminuir a violência no Brasil, e sim, promovendo a melhoria de vida a todos os brasileiros.
Portanto, ao invés de procurar bodes expiatórios, as autoridades deveriam começar a cumprir com seu dever, coisa que não fazem bem feito.


Este episódio, inclusive, me fez lembrar outro semelhante.


Em novembro do ano passado, um designer chamado Fábio Lopez criou um protótipo de um jogo de tabuleiro que chamou de "War in Rio". Tal jogo também simula a guerra do tráfico. As autoridades foram à imprensa para protestar contra a "brincadeira". Mas a criação do jogo, ao meu ver, nada mais foi do que um alerta para a situação de violência do país. Repito, ao invés de tentar tapar o sol com a peneira, querendo tratar a violência como se ela não existisse, o governo deveria solucionar a origem do problema, que é a desigualdade social e a falta de investimentos na melhoria da qualidade de vida dos brasileiros.




E vamos combinar...


Se começarem a proibir jogos de video game só porque são violentos, nenhum jogo será mais permitido.


Aí o videogame será proibido no Brasil.


Se isso acontecer eu saio do país.


E tenho dito.


Abraço.

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